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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Nova Crise de 29

Desde setembro, os noticiários das TVs e os artigos de jornais estão deleitando os telespectadores/leitores com a crise que assola os Estados Unidos e que causa impacto no mundo inteiro. Vemos vários termos técnicos econômicos, repórteres anunciando quebra de bolsas, a compra de mega empresas pelo governo estadusunidense. O que isto influencia nossa vida afinal? Tudo parece tão distante da nossa realidade. Esta distância aparente dar-se, entre outros fatores, porque não nos é explicado a causa da crise. O entendimento desta é importante para nos apropriarmos melhor das notícias. Do contrário, a distância permanecerá. Para entender a causa da crise financeira, é preciso que entendamos o sistema financeiro na qual esta crise se desenvolveu. Estamos vivendo no sistema neoliberal. Este sistema prega a política do Estado mínimo. Assim, cada vez menos o Estado provê saúde, educação, trabalho e outros direitos do trabalhador garantidos pela constituição. Estes direitos são mantidos cada vez mais por empresas privadas, que tornam a saúde, educação a moradia e outros direitos como mercadoria. Ou seja, tem acesso a estes quem pode pagar. Como o Estado ainda atua, temos acesso à saúde e a educação gratuitos, mas este acesso é bastante restrito e não atende grande parte da população. A idéia propagada pelo neoliberalismo é que com as grandes empresas e os bancos assumindo setores que antes eram de maior responsabilidade do Estado, os serviços teriam melhor qualidade. Não é isso, no entanto que vemos na realidade. Além de a qualidade não ser a melhor (por exemplo, nenhum serviço particular paga cirurgia de transplante, quem o faz é o SUS), as empresas e os bancos não têm a capacidade de auto sustentar-se. Uma vez que estas gerem super lucros, crescendo mais do que a própria sociedade, estas não conseguem escoar mais sua produção, pois não consegue vende-las por completo. Assim foi a crise de 1929 e assim está sendo a deste ano. Para que estas empresas não venham falir, o Estado as compra, estatizando-as. A estatização já está ocorrendo nos EUA. É aí que entra a grande contrariedade do neoliberalismo. Esta crise mostra que as empresas não são auto-sustentáveis e, para serem mantidas, o Estado as compra com o dinheiro público. Dinheiro este que deveria ser investido em educação, saúde, emprego. Este dinheiro está na ordem de trilhões de dólares, o que daria para dar um salário de 700 reais para cada brasileiro durante um ano. Assim, salvar as grandes empresas e os bancos não ajuda a população, mas sim a burguesia, para que esta possa viver no seu luxo, sustentado pela exploração trabalhadora. Algumas pessoas falam que se estas empresas quebrarem, muitos vão ficar desempregados. No entanto, o dinheiro que é revertido a elas daria para gerar várias fontes de emprego. Saiu no jornal A TARDE que alguns concursos federais podem ser adiados por conta da crise. Afinal, o dinheiro que seria para gerar empregos irá salvar os banqueiros. Além disso, se as mesmas fossem estatizadas, dariam mais estabilidade aos seus trabalhadores. Esta crise vem reafirmar o que a crise de 1929 mostrou: o neoliberalismo, fruto do capitalismo, não é capaz de atender as demandas da sociedade. Ele não é capaz nem mesmo de atender aos luxos da burguesia pois, quando este entra em crise, é o Estado, com o dinheiro público, que as salva, mantendo a desigualdade social. Detian Almeida

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