As questões propostas por Hannah Arendt no livro "Eichmann em Jerusalém" ultrapassa a fronteira do politicamente correto para uma judia, por que além de relativizar a legitimidade de Israel em julgar um criminoso nazista, a história do julgamento de Eichmann deve ser conhecida por ser notória sua importância na justiça penal e na história geral do século XX, como exemplo de tribunal de exceção do pós segunda guerra, hoje reconhecidos como tribunais “ex post facto” do verbete em Latin jurídico, fala-se nisso dos tribunais constituídos após os crimes serem praticados e por isso mesmo o próprio tribunal penal de Nuremberg, os quais julgou alguns dos maiores líderes Nazistas, sofre séria crítica nos dias de hoje, há um tratado internacional penal conhecido como “Estatuto de Roma” instituído em 1998 mas ratificado por 60 países somente em assembleia da ONU no ano de 2002, ratificado pelo Brasil em setembro do mesmo ano que estabelece princípios, competências e procedimentos para crimes contra a humanidade, imprescritíveis, tribunal estabelecido com base na cidade de Haia nos países baixos, mais precisamente na Holanda.

Hannah Arendt questiona quem era Eichmann, hora relativiza a personalidade de aparente normalidade de Eichmann, que ela não julga, hora adquire um contexto de autocrítica, bem própria dos israelitas em geral. Hannah Arendt não julga Eichmann, não o aponta, pelo contrário, desafia-nos a fazer uma leitura mais profunda de nós mesmos, e de nossas percepções de justiça, um encanto, em nenhum momento ela compara o homem ao mal, nem relativiza o mal, ao mesmo tempo ela invoca a natureza do ser interior que segundo ela é comum a todos os seres, julgar e condenar Eichmann reduz nossa visão do mal, banaliza o mal, como judia busca fundamento da Torah, e o Midrash Rabba, livros que prescrevem condutas para todas as áreas do comportamento humano, notadamente ela escreve para os Judeus e não judeus, especialmente para um leitor de origem cristã, nada estranho ao se comparar com o já prescrito pelo messias aceito, Jesus de Nazaré, e então, somos induzidos crer que tanto ela nos torna um pouco Eichmann, como também demonstra a intensa incapacidade nossa, seres humanos, de nos percebermos criadores de Eichmann, nessa tentativa de transmutar de forma simples o que Hannah Arendt desvendou lá na última instancia do ser humano, resume-se na grande defesa contra o mal, é nos percebermos maus.o Livro é atual pela mais tenra razão, tanto Israel trata palestinos como os nazistas trataram os judeus, tanto nós convivemos com o mal na esquina, a proposta de Hannah é intensa, dolorosa e incerta, no fundo, lá em obscura entranha de todo ser, matar o mal, não é matar o mau, e a indagação é final e está na Toráh, na Midrash, no evangelho, "Amar ao próximo(Teu inimigo) como a ti mesmo", resta começar e por onde devemos começar.

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