sábado, 6 de novembro de 2010
Para especialistas, ranking do IDH não considera avanços mais recentes do país na educação
O ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), não reflete os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos no campo da educação. A opinião é de três especialistas da área ouvidos pela Agência Brasil.
Apesar de apontarem problemas e defenderem a necessidade de mais investimentos no setor, os três acreditam que o país será mais bem avaliado nos próximos levantamentos, graças às políticas públicas colocadas em prática nos últimos quatro anos. No último levantamento, o país foi o que mais avançou, saltando da 77ª posição para a 73ª.
O desempenho, contudo, teria sido melhor se não fosse a revisão, pelo Pnud, dos critérios para avaliar a qualidade da educação, setor no qual o Brasil teve sua pontuação reduzida de 0,813 para 0,699, numa escala que varia de 0 a 1. O índice varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.
Segundo o conselheiro do Movimento Todos pela Educação e professor da Universidade Federal de Pernambuco, (Ufpe), Mozart Neves Ramos, observando a evolução do índice é possível constatar “uma melhora acentuada” da educação brasileira, ainda que persistam problemas históricos como as altas taxas de repetência e a evasão escolar.
“Os investimentos aumentaram nos últimos três anos e os reflexos disso ainda não foram capturados pelo IDH. Mas a situação brasileira, de fato, ainda é delicada e temos muito o que fazer, principalmente se nos compararmos aos países vizinhos”, disse Ramos, elencando como prioridades para o próximo governo garantir que todas as crianças até 8 anos de idade saibam ler e escrever; criar um indicador nacional de alfabetização nessa faixa etária e valorizar os professores, procurando atrair jovens qualificados para o magistério.
O membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) Cesar Callegari também acredita que o ranking global não reflete a atual realidade do ensino brasileiro, embora a nova metodologia empregada seja melhor, na avaliação dele. Em vez de levar em consideração a taxa de analfabetismo e o número de matrículas nos três níveis de ensino, o Pnud passou a apurar a média de anos de estudo e a expectativa de escolaridade.
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