A queda de "Mono Jojoy", segundo homem no comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), representa um golpe duro do ponto de vista tático para o grupo guerrilheiro. Além disso, a ação militar em que Jorge Briceño Suárez (nome de batismo de "Jojoy") foi abatido dará o tom da administração do presidente Juan Manuel Santos na luta contra o terrorismo. Estas são as opiniões de analistas ouvidos pelo Terra sobre o revés sofrido pelo grupo guerrilheiro na última quinta-feira.
Para o historiador da UFRJ e pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, a morte de "Jojoy" é grave para as Farc porque são líderes históricos como ele os responsáveis pela organização e pela orientação em favor da luta armada. "As Farc são uma forma de luta social cuja captação de novos recrutas se dá em torno do carisma das lideranças e da articulação militar", diz o historiador.
Para Chaves, a derrubada dos sete pilares (como são chamados os principais dirigentes e membros do secretariado) é um dos objetivos do governo colombiano, pois causa desmobilização tático-militar. "Se o sargento morre, a tropa fica desmobilizada. Esses assassinatos significam o fim das lideranças tradicionais, que não deixaram herança, já que não há nas Farc renovação de quadros e formação de novos líderes", disse.
O fato de a operação que culminou no assassinato do líder guerrilheiro ter acontecido logo no início do mandato do presidente Juan Manuel Santos indica a manutenção do endurecimento da luta contra as Farc com maior sensatez e cuidado diplomático do que teve o governo Uribe, afirma o historiador.
"A ação contra 'Jojoy' aconteceu dentro do território colombiano. O assassinato de Reyes no Equador é um erro que não será repetido, pois não há necessidade de conflito com os países vizinhos." Além disso, com a ação bem-sucedida na luta contra o terrorismo, a Colômbia reforçou o apoio internacional, diz a professora de Ciências Políticas da Ulbra, Ana Simão, que também ocupa a cadeira de Relações Internacionais da ESPM.
A morte das principais lideranças evidencia o enfraquecimento das Farc, cujo futuro é incerto. A própria disposição de dialogar com o governo seria impensável há alguns anos. "O poder de barganha das Farc hoje é bem menor. O governo reforçou sua posição e colocou as Farc numa situação de vulnerabilidade, o que dá um novo tom às negociações", diz ela. Para Ana, o diálogo acontecerá e será uma consequência da própria fragilidade do movimento. "À medida que o diálogo realmente surgir, será o fim das Farc."
domingo, 26 de setembro de 2010
Será que as Farc vai se enfraquecer?!
A queda de "Mono Jojoy", segundo homem no comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), representa um golpe duro do ponto de vista tático para o grupo guerrilheiro. Além disso, a ação militar em que Jorge Briceño Suárez (nome de batismo de "Jojoy") foi abatido dará o tom da administração do presidente Juan Manuel Santos na luta contra o terrorismo. Estas são as opiniões de analistas ouvidos pelo Terra sobre o revés sofrido pelo grupo guerrilheiro na última quinta-feira.
Para o historiador da UFRJ e pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, a morte de "Jojoy" é grave para as Farc porque são líderes históricos como ele os responsáveis pela organização e pela orientação em favor da luta armada. "As Farc são uma forma de luta social cuja captação de novos recrutas se dá em torno do carisma das lideranças e da articulação militar", diz o historiador.
Para Chaves, a derrubada dos sete pilares (como são chamados os principais dirigentes e membros do secretariado) é um dos objetivos do governo colombiano, pois causa desmobilização tático-militar. "Se o sargento morre, a tropa fica desmobilizada. Esses assassinatos significam o fim das lideranças tradicionais, que não deixaram herança, já que não há nas Farc renovação de quadros e formação de novos líderes", disse.
O fato de a operação que culminou no assassinato do líder guerrilheiro ter acontecido logo no início do mandato do presidente Juan Manuel Santos indica a manutenção do endurecimento da luta contra as Farc com maior sensatez e cuidado diplomático do que teve o governo Uribe, afirma o historiador.
"A ação contra 'Jojoy' aconteceu dentro do território colombiano. O assassinato de Reyes no Equador é um erro que não será repetido, pois não há necessidade de conflito com os países vizinhos." Além disso, com a ação bem-sucedida na luta contra o terrorismo, a Colômbia reforçou o apoio internacional, diz a professora de Ciências Políticas da Ulbra, Ana Simão, que também ocupa a cadeira de Relações Internacionais da ESPM.
A morte das principais lideranças evidencia o enfraquecimento das Farc, cujo futuro é incerto. A própria disposição de dialogar com o governo seria impensável há alguns anos. "O poder de barganha das Farc hoje é bem menor. O governo reforçou sua posição e colocou as Farc numa situação de vulnerabilidade, o que dá um novo tom às negociações", diz ela. Para Ana, o diálogo acontecerá e será uma consequência da própria fragilidade do movimento. "À medida que o diálogo realmente surgir, será o fim das Farc."
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